Os clãs de deuses
A distinção entre o Æsir e o Vanir é relativa, pois na mitologia os dois
finalmente fizeram a paz após uma guerra prolongada, ganha pelos Æsir. Entre os
embates houve diversas trocas de reféns, casamentos entre os clãs e períodos
onde os dois clãs reinavam conjuntamente. Alguns deuses pertencem a ambos os
clãs. Alguns estudiosos especulam que esta divisão simboliza a maneira como os
deuses das tribos invasoras indo-européias suplantaram as divindades naturais
antigas dos povos aborígenes, embora seja importante notar que esta afirmação é
apenas uma conjectura. Outras autoridades (compare Mircea Eliade e J.P.
Mallory) consideram a divisão entre Æsir/Vanir simplesmente a expressão dos
nórdicos acerca da divisão comum Indo-Européia acerca das divindades, paralela
aos deuses Olímpicos e os Titãs da
mitologia grega, e algumas partes do Maabarata.
Outros clãs de seres
sobrenaturais
O Æsir e o Vanir são geralmente inimigos dos gigantes Jotun (Iotunn
ou Jotuns no singular; Eotenas ou Entas, em inglês
arcaico). Estes são comparáveis aos Titãs e aos Gigantes da mitologia grega e
traduzidos geralmente como "gigantes", embora trolls e demônios
sejam sugeridos como alternativas apropriadas. Entretanto, os Æsir são
descendentes dos Iotnar e tanto os Æsir como os Vanir realizaram diversos
casamentos entre eles. Alguns dos gigantes são mencionados pelo nome no Eddas,
e parecem ser representações de forças naturais. Há dois tipos gerais de
gigante: gigantes da neve e gigantes do fogo. Havia também elfos e anões e,
apesar de seu papel na mitologia ser bastante obscuro, normalmente são
apresentados tomando o partido dos deuses.
Além destes, há muitos outros seres supernaturais: Fenris (ou Fenrir)
o lobo gigantesco,
e Jormungard, a serpente do mar que
circula o mundo inteiro. Estes dois monstros são descritos como primogênitos de
Loki, o deus da
mentira, e de um gigante. Hugin e Munin (pensamento
e memória), são criaturas mais benevolentes, representadas por dois corvos que
mantêm Odin, o deus
principal[14], informado
do que está acontecendo na terra; Ratatosk, o esquilo
que atua como mensageiro entre os deuses e Yggdrasil, a árvore
da vida, figura central na concepção deste mundo.
Assim como muitas outras religiões politeístas, esta mitologia não
apresenta o característico dualismo entre o bem e o mal da tradição do oriente
médio. Assim, Loki não é primeiramente um adversário dos deuses, embora se
comporte frequentemente nas histórias como o adversário primoroso contra o
protagonista Thor, e os
gigantes não são fundamentalmente malignos, apesar de normalmente rudes e
incivilizados. O dualismo que existe não é o mal contra o bem, mas a ordem
contra o caos. Os deuses representam a ordem e a estrutura visto que os
gigantes e os monstros representam o caos e a desordem.
Deuses e deusas nórdicas
Dos numerosos deuses e heróis sobrenaturais mais recorrentes da
mitologia nórdica, podem ser destacados os seguintes:
Völuspá: a origem e o final do
mundo
: Ragnarök
A origem e o final eventual do mundo são descritas em Völuspá[15] ("A
profecia dos Völva" ou "A profecia de Sybil"[desambiguação
necessária]), um dos
poemas mais impressionantes no Edda poético. Estes versos assombrados
contêm uma das mais vívidas criações em toda a história religiosa e representa
a destruição do mundo, cuja originalidade está na sua atenção aos detalhes.
No Völuspá, Odin, deus principal do panteão
dos nórdicos, conjura do espírito de um Völva morto (Shaman[desambiguação
necessária] ou Sybil) e
requer que este espírito revele o passado e o futuro. O espírito se mostra
relutante: "O que você pede de mim? Porque você me tenta?"; mas como ela
se encontra morta, não mostra nenhum medo de Odin, e continuamente o pergunta,
de forma grosseira: "Bem, você quer saber mais?" Mas Odin insiste: se
deve cumprir sua função como o rei dos deuses, deve possuir todo o
conhecimento. Uma vez que o sybil revela os segredos de passado e de
futuro, cai para trás em forma de limbo: "Eu dissiparei agora".
O passado
No início havia somente o mundo das névoas, Niflheim e o mundo
de fogo, Musphelhein, e entre
eles havia o Ginungagap, "um
grande vazio" no qual nada vivia. Em Ginungagap, o fogo e a névoa se
encontraram formando um enorme bloco de gelo. Como o fogo de Musphelhein era
muito forte e eterno, o gelo foi derretendo até surgir a forma de um gigante
primordial, Ymir, que dormiu
durante muitas eras. O seu suor deu origem aos primeiros gigantes. E do gelo
também surgiu uma vaca gigante, Audumbla, cujo leite
jorrava de suas tetas primordiais em forma de 4 grandes rios que alimentavam
Ymir. A vaca lambeu o gelo e libertou o primeiro deus, Buro, que foi
pai de Borr, que por
sua vez foi pai do primeiro Æsir, Odin, e seus
irmãos, Vili e Ve[desambiguação
necessária]. Então, os
filhos de Borr, Odin, Vili e Ve, destroçaram o corpo de Ymir e, a partir deste,
criaram o mundo. De seus ossos e dentes surgiram as rochas e as montanhas e de
seu cérebro surgiram as nuvens.
Os deuses regularam a passagem dos dias e noites, assim como das
estações. Os primeiros seres humanos eram Ask (carvalho) e Embla (olmo), que foram
esculpidos em madeira e trazidos à vida pelos deuses Odin, Honir/Vili e
Lodur/Ve. Sol era a deusa do sol, filha de Mundilfari e esposa de
Glen[desambiguação
necessária]. Todo dia,
ela montava através do céu em sua carruagem puxada por dois cavalos nomeados Alsvid e Arvak. Esta
passagem é conhecida como Alfrodul, que
significa "glória dos elfos", que se tornou um kenning comum para
o sol. Sol era perseguida durante o dia por Skoll, um lobo que queria
devorá-la. Os eclipses solares significavam que Skoll quase a capturava. Na
mitologia, era fato que Skoll eventualmente conseguia capturar Sol e a
devorava; entretanto, a mesma era substituída por sua filha. O irmão de Sol,
a lua, Máni, era
perseguido por Hati, um outro
lobo. Na mitologia nórdica, a terra era protegida do calor do sol por Svalin, que
permanecia entre a terra e a estrela. Nas crenças nórdicas, o sol não fornecia
luz, que emanava da juba de Alsvid e Arvak.
A Sybil[desambiguação
necessária] descreve a
enorme árvore que sustenta os nove mundos, Yggdrasil e as três Nornas (símbolos
femininos da fé inexorável, conhecidas como Urðr (Urdar), Verðandi
(Verdante) e Skuld[desambiguação
necessária], que
indicam o passado, a atualidade e futuro), as quais tecem as linhas do destino.
Descreve também a guerra inicial entre o Æsir e o Vanir e o assassinato de Balder. Então, o
espírito gira sua atenção ao futuro.
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