O futuro
A visão antiga dos nórdicos sobre o futuro é notavelmente sombria e
pálida. No final, as forças do caos serão superiores em número e força aos
guardiões divinos e humanos da ordem. Loki e suas crianças
monstruosas explodirão suas uniões; os mortos deixarão Niflheim para atacar
a vida. Heimdall, guardião
das divindades, convocará os deuses com o soar de sua trombeta de chifre. Se
seguirá uma batalha final entre ordem e caos (Ragnarök), que os
deuses perderão, como é seu destino. Os deuses, cientes de sua sina, recolherão
os guerreiros mais finos, o Einherjar, para lutar em seu lado quando
este dia vier. No entanto, no final, seus poderes serão pequenos para impedir
que o mundo caia no caos onde ele se emergiu, e os deuses e seu mundo serão destruídos.
Odin será
engolido por Fenrir, o lobo. Mesmo assim, ainda haverá alguns sobreviventes, humanos e
divinos, que povoarão um mundo novo, para começar um novo ciclo. Ou assim Sybil[desambiguação
necessária] nos diz; os
estudiosos ainda se dividem na interpretação das últimas estrofes e deixam em
dúvida se esta não foi uma adição atrasada ao mito por causa da influência cristã. Se a
referência for anterior a cristianização, o mito do final dos tempos do Völuspá pode refletir
uma tradição indo-europeia que se deriva dos mitos do zoroastrismo persa.
Os reis e os heróis
A mitologia nórdica não trata somente dos deuses e das criaturas
supernaturais, mas também sobre heróis e reis. Muitos deles, provavelmente,
existiram realmente e as gerações de estudiosos escandinavos tentam
extrair a história do mito a partir das sagas. Às vezes, o mesmo herói ressurge
em diversas formas dependendo de que parte do mundo germânico os épicos
sobreviveram. Como exemplos temos o Völund/Weyland e Sigurdo, e
provavelmente em Beovulfo/Bödvar Bjarki. Outros
heróis notáveis são Hagbard, Starkad, Ragnar Calças Peludas, Sigurdo, o
Anel, Ivar Braço Longo e Haroldo Dente de Guerra. Notáveis
também são as shieldmaidens, que eram as mulheres "comuns" que
tinham escolhido o caminho do guerreiro.
Adoração germânica
Os centros da fé
As tribos germânicas raramente ou quase nunca tiveram templos em um
sentido moderno. O Blót, a forma de adoração praticada pelos germânicos antigos e os povos
escandinavos se assemelham aos dos celtas e dos bálticos, ocorrendo
normalmente em bosques considerados sagrados. Poderiam também ocorrer em casas
e/ou em altares simples de pedras empilhadas conhecidas como horgr.
Entretanto, parece ter havido alguns centros mais importantes, tais como Skiringsal, Lejre e Uppsala. Adão de
Bremen conta no século XI que havia um templo em Uppsala com três estátuas de
madeira de Thor, de Odin e de Freyr.[16]
Sacerdotes
Apesar de parecer que um certo tipo do sacerdócio possa ter existido,
nunca houve um caráter profissional e semi-hereditário como o arquétipo do druida céltico. Isto
ocorre porque a tradição xamanista foi mantida
pelas mulheres, as Völvas. É
geralmente aceito que os reinados germânicos evoluíram a partir dos escritórios
dos sacerdotes. O papel de
sacerdócio do rei condizia
com o papel comum do godi, que
figurava como o chefe de um grupo de famílias e que administrava os
sacrifícios.
Sacrifícios humanos
O único testemunho ocular do sacrifício humano germânico sobreviveu no
conto de Ibn Fadlan sobre um enterro do navio de Rus, onde uma
escrava menina se ofereceu para acompanhar seu senhor ao mundo seguinte.
Testemunhos mais indiretos são dados por Tácito, Saxão Gramático e Adão de
Brema. O Heimskringla descreve que o rei sueco Aun sacrificou
nove de seus filhos em um esforço para prolongar sua vida até que seu trabalho
o impediram de matar seu último filho, Egil. De acordo
com Adão de Brema, os reis suecos sacrificavam escravos do sexo masculino a
cada nono ano durante os sacrifícios de Yule no Templo
em Upsalla. Os suecos tinham o direito de eleger e depor os próprios reis, e
tanto o rei Domalde e o rei Olavo, o Desbravador são
conhecidos por terem sido sacrificados após anos de inanição. Odin foi
associado com a morte por enforcamento, e uma prática possível do sacrifício de
Odin por estrangulamento tem alguma sustentação arqueológica na existência de
corpos preservados perfeitamente pelo ácido das turfas em Jutlândia. Um exemplo
é Homem de Tollund.
Entretanto, não há nenhum testemunho escrito que interprete explicitamente a
causa destes estrangulamentos, que poderiam, obviamente, ter outras
explicações.
Interações com o cristianismo
Desenho de 1830 de Ansgário de Hamburgo, um
missionário cristão convidado à Suécia por seu rei, Björn at Hauge em 829
Um problema complexo ao interpretar esta mitologia é que,
frequentemente, os testemunhos mais próximos que existem das épocas mais
remotas foram escritos por cristãos. Como um
exemplo de caso, o Younger Edda e o Heimskringla foram escritos
por Snorri Sturluson no Século XIII, após quase
duas centenas de anos depois que a Islândia se tornou
cristã, em torno do ano 1000, em um momento histórico sob um intenso clima político antipagão na Escandinávia.
Virtualmente, toda a literatura sobre as sagas viquingues se originou
na Islândia, uma ilha relativamente pequena e remota. Mesmo contando com o
clima de tolerância religiosa que permanecia naquela época nesta região, Sturluson
foi guiado por um ponto de vista essencialmente cristão. O Heimskringla,
cujas cópias são tão difundidas na Noruega atual
quanto a Bíblia, fornece algumas introspecções interessantes nesta direção. Snorri
Sturluson introduz Odin como um lorde guerreiro mortal da Ásia que adquire
poderes mágicos, se estabelece na Suécia, e se torna
um semi-deus após sua morte. Ao remover a divindade de Odin, Sturluson fornece
então a história de um pacto do rei sueco Aun com o Odin
para prolongar sua vida, sacrificando seus filhos. Mais tarde, no Heimskringla,
Sturluson apresenta em detalhes como o Santo Olavo converteu
brutalmente os escandinavos ao cristianismo.
Durante a cristianização da Noruega, o rei Olavo I mantinha as
völvas (mulheres xamãs) amarradas
em pequenas rochas à mercê da maré. Uma terrível e longa espera pela morte.
Na Islândia, tentando evitar a guerra civil, o parlamento votou a favor
da cristianização, mas tolerou a prática de cultos pagãos na privacidade dos
lares. A atmosfera mais tolerante permitiu o desenvolvimento da literatura
acerca das sagas, que foi uma janela vital para auxiliar a compreender a era
pagã.
Por outro lado, a Suécia teve uma
série de guerras civis durante o século XI, que terminou com a queima do templo
em Uppsala.
A conversão não aconteceu rapidamente, independente se a nova fé fosse
mais ou menos imposta pela força. O clérigo trabalhou fortemente no sentindo de
ensinar à população que os deuses nórdicos eram apenas demônios, mas seu
sucesso era limitado e os deuses nunca se tornaram realmente malignos na mente
popular. Dois achados arqueológicos extremamente isolados podem ilustrar quanto
tempo a cristianização levou para atingir toda a região. Os estudos
arqueológicos das sepulturas na ilha sueca de Lovön mostraram
que a cristianização levou entre 150 a 200 anos.
Do mesmo modo, na cidade comercial de Bergen, duas
inscrições rúnicas do século XIII foram
encontradas, onde a primeira diz pode Thor o receber, pode Odin possui-lo.
A segunda inscrição é um galdra que diz eu
entalhei runas de cura, eu entalhei runas de salvação, uma vez contra os elfos,
duas vezes contra os trolls, três vezes contra os thurs. A segunda menciona
também a perigosa valquiria Skögul.
Apesar de haver poucos testemunhos do século XIV até o século XVIII, o
clérigo, tal como Olaus Magnus (1555) escreveu
sobre as dificuldades de extinguir a opinião antiga sobre os deuses antigos. o Þrymskviða parece ter
sido uma das raras canções que resistiram ao tempo, como a romântica Hagbard e o Signy. As versões
conhecidas de ambas foram registradas nos séculos XVII e XIX. No século XIX e
no início do século XX, os folcloristas suecos documentaram o que o povo comum
acreditava, e o que eles deduziram era que muitas tradições dos deuses da
mitologia nórdica haviam sobrevivido. Entretanto, as tradições estavam muito
longe do sistema coeso desenvolvido por Snorri. A maioria dos deuses tinham
sido esquecidos e somente o caçador Odin e a figura
de matador de gigantes de Thor aparecia em numerosas lendas. Freya era
mencionado algumas vezes e Balder sobrevivia somente nas lendas sobre nomes de lugares.
Outros elementos da mitologia nórdica sobreviveram sem ser percebido
como tal, em especial a respeito dos seres sobrenaturais no folclore
escandinavo. Além disso, a opinião dos nórdicos sobre o destino foi muito firme
até épocas modernas. Desde que o inferno cristão se
assemelhou ao domicílio dos mortos na mitológia nórdica, um dos nomes foi
aproveitado da fé antiga, Helvite, isto é, punição de Hela. Alguns
elementos das tradições de Yule foram preservados, como a tradição sueca de matar um porco durante o Natal, que era
originalmente parte do sacrifício a Frey.
Influências modernas
Dias da semana
Os deuses germânicos deixaram traços no vocabulário moderno. Um exemplo
desta influência é alguns dos nomes dos dias da semana. A influência se deu
após os nomes dos dias da semana serem desenvolvidos e espalhados pela língua
dominante antiga, o latim, que definia os dias como Sol, Lua, Marte, Mercúrio,
Júpiter, Vênus e Saturno. Os nomes de terça-feira a
sexta-feira foram substituídos completamente pelos equivalentes germânicos dos
deuses romanos. Em inglês, Saturno não foi substituído, enquanto sábado
foi renomeado após a definição do sabbath em alemão, e é chamado
"dia da lavagem" na Escandinávia.[17]
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Dia
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Alemão
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Inglês
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Sueco
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Origem
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Montag
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Monday
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Måndag
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dia da Lua
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Dienstag
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Tuesday
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Tisdag
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dia de Tyr
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Mittwoch
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Wednesday
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Onsdag
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Donnerstag
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Thursday
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Torsdag
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Freitag
|
Friday
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Fredag
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dia de Freyja
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Samstag
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Saturday
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Lördag
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Sonntag
|
Sunday
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Söndag
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dia do Sol
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Odin
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Odin
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Ódin
. Wotan . Woden . Óðinn
deus da sabedoria, da guerra e da morte | |
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Reino
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Clã
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Cônjuge
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Pais
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Irmãos
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Filhos
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Armas
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Odin ou Ódin (em nórdico antigo: Óðinn) é considerado o deus principal do clã dos deuses Asses (Æsir), o clã mais importante de deuses da mitologia nórdica e nas crenças das religiões neopagãs nórdicas, como a Ásatrú. Também é conhecido como "Pai de Todos" e "O enviado do Senhor da Guerra".[1][2][3]
Seu papel, como o de muitos deuses nórdicos, era complexo; era o deus da sabedoria, da guerra e da morte, embora também, em menor escala, da magia, da poesia, da profecia, da vitória e da caça. Era sobretudo adorado pelas classes sociais superiores.[1][2][4]
Odin morava em Asgard, no palácio de Valaskjálf, que ele construiu para si, e onde se encontra seu trono, o Hliðskjálf, onde podia observar o que acontecia em cada um dos nove mundos, graças aos seus dois corvos Hugin e Munin. Durante o combate brandia sua lança, chamada Gungnir, e montava seu cavalo de oito patas, chamado Sleipnir.[4][5]
Era filho de Borr e da jotun ("gigante") Bestla, irmão de Vili e Vé,[6] esposo de Frigg e pai de vários dos deuses asses (Æsir),[7] tais como Thor, Baldr, Vidar e Váli.[3] Na poesia escáldica faz-se referência a ele com diversos kenningar, e um dos que são utilizados para mencioná-lo é Allföðr ("pai de todos").[8]
Como deus da
guerra, era encarregado de enviar suas "filhas", as valquírias, para recolher os corpos dos
heróis mortos em combate,[9] os einherjar, que se sentam a seu lado no Valhalla de onde preside os banquetes. No fim dos tempos
Odin conduzirá os deuses e os homens contra as forças do caos na batalha do fim do
mundo, o
Ragnarök. Nesta batalha o deus será morto
e devorado pelo feroz lobo Fenrir, que será imediatamente morto por Vidar, que, com um pé sobre sua garganta, lhe arrancará
a mandíbula.[10]
Origens do nome
O nome do deus no nórdico antigo é Óðinn, tendo Saxo Grammaticus latinizado como Othinus, no germano Wotan e no primitivo germânico sob a forma de Wodanaz, no gótico, Vôdans, no dialeto das ilhas Feroé (nas costas da Noruega), Ouvin, no antigo saxão, Wuodan, no alto alemão, Wuotan, enquanto que entre os lombardos e na região da Vestefália aparece Guodan ou Gudan, e na Frísia, Wêda. Nos dialetos dos alamanos e borgundos temos a expressão Vut, usada até hoje no sentido de ídolo. Essas denominações estão ligadas pela raiz, no nórdico arcaico, às palavras vada e od, e, no antigo alto alemão, a Watan, Navutan, Wuot, que significavam a princípio razão, memória ou sabedoria. Mais tarde tornaram-se equivalentes a tempestuoso ou violento, sentido que os cristãos faziam empenho de acentuar, procurando depreciar a figura do deus nórdico.
Georg von
Rosen - Oden som vandringsman (Odin, o Viajante), 1886
Dia da semana de dedicação
A quarta-feira, dia que é dedicado ao deus Odin, tomou a denominação onsdag em sueco e dinamarquês (Old Norse, odinsdagr), wednesday em inglês (antigo saxão, wôdanes dag, anglo-saxão, vôdnes dag), woensdag em holandês, godenstag ou gunstag no dialeto da Vestefália.